Nadar com tubarões nas Ilhas Perhentian

Com o sol bravo do meio-dia, embarcamos no porto de Kuala Besut com destino às ilhas Perhentian. Escolhemos a ilha mais tranquila para relaxar e fazer snorkling, a Perhentian Besar, a maior das duas. 🐠
Largamos as nossas tralhas, no nosso bangaló, e saímos para passear sob o olhar curioso dos dragões de komodo, também conhecidos como os crocodilos-da-terra. Com os olhos cansados de os vermos já não sentimos arrepios na espinha.
Na praia, um casal espanhol, tenta reservar um barco para fazer snorkeling ao amanhecer do dia seguinte. Nos juntamo-nos a eles. O senhor do barco garante que vamos ver tartarugas e quase de certeza tubarões. – O que, tubarões? Pergunto eu, apavorado!
-Sim, são tubarões do recife, completamente inofensivos e vegetarianos.
A Ana, como costuma pontapear as pedras e magoar os pés, ficou entusiasmada com a ideia de fazer snorkeling em águas relativamente profundas mas eu fiquei preocupado (vamos dizer preocupado só por simpatismo 😉!).
O sol nasceu forte e brilhante. O mar estava calmo e a visibilidade da água era excelente. Embarcamos com o casal espanhol e 20 minutos depois chegávamos, envoltos numa nuvem de odor a gasóleo que acabou por indispor a Ana, ao primeiro dos quatro pontos previstos para mergulhar! Vimos alguns peixes mas o que mais me fascinou foram as cores da agua, dos corais e do areal que podíamos avistar. Quando paramos pela segunda vez foi para ver tartarugas! Nadar com elas foi inesquecível 🐢 (e é bom que assim seja porque, infelizmente, não tínhamos nenhuma câmara subaquática para registar o momento).
Deslumbrados, nunca pensamos que o próximo ponto de mergulho seria capaz de nos surpreender! Mas foi, e muito! Tantos e variados peixes de todas as cores e feitios… curiosos, desconfiados, atrevidos, indiferentes e alguns muito tímidos e cautelosos como o nemo!
Mas o clímax da nossa aventura marítima estava guardado para o quarto e ultimo sítio de mergulho.
Saltamos do barco, eu com receio, obviamente, e não passaram 5 minutos até a Ana avistar o primeiro tubarão. A partir daí encontrei e persegui uns 6 tubarões relativamente pequenos… Até que o pai ou a mãe dos pequenos resolveu aparecer! Os nossos olhos encontraram-se. Estiveram no mesmo lugar. Foi enorme esse instante! Eu dentro de água, rodeado de peixes que não conheço, ele só não me conhece a mim! Não nada como os outros peixes, comporta-se como um predador nato, parece farejar ou sondar o ambiente, aparece e desaparece no mesmo instante com a facilidade de um fantasma. Nado para o barco assombrado e perseguido com a imagem dos tubarões. A Ana, já lá estava a “virar a carga ao mar”, literalmente😨! Ficou enjoada e precisava de descansar. Depois chegam os espanhóis e dizem-nos: – não vimos nenhum tubarão. Não quis acreditar, as águas estavam infestadas com tubarões; como é que é possível? Ao que parece eu não gosto de tubarões mas eles gostam de mim. Encontrei coragem e força para lhes mostrar onde tinha visto os tubarões. Nadei com eles uns 20 metros, apontei para um pequeno tubarão e regressei ao barco. Estava cansado. Curiosamente, foi o único tubarão que viram. Depois, todos no barco, esgotados e extasiados regressamos à praia. Sinto-me aliviado por estarmos outra vez em movimento. Existiu um instante em que estivemos no mesmo lugar. Eu e o meu maior medo, os tubarões. Agora, esse instante passou, foi um instante eterno e coberto pela certeza de que nunca mais nos encontraremos…

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Atracamos, finalmente, na praia certos de que tínhamos feito o melhor snorkeling das nossas vidas. Mas, infelizmente, deixou marcas… Apanhamos um grande escaldão. Não há nenhum protector solar que proteja tanto tempo dentro da água e nós, com o nosso entusiasmo imprudente, não usamos roupa apropriada! Como estariam os espanhóis, que eram mais brancos do que nós? Não sei! Nunca mais os voltamos a ver.

Como os gatos escaldados que têm medo de água fria, no dia seguinte,  aproveitamos as lindíssimas praias e fizemos canoagem sem largar o chapéu e a camisola por um segundo. Ao entardecer jantamos, com o por-do-sol no horizonte, no “B-first“, um ótimo arroz frito com ananás e vegetais estufados com caril.

Os dias aqui voaram! regressamos a Malásia continental e seguimos para norte rumo a Kota Bharu.

photography – all rights reserved – Ana Rocha

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