Camboja, um país sedutor (2ª parte)

Com uma história inspiradora mas também deprimente, o Camboja oferece um presente inebriante.

A cidade de Siem Reap, com cafés cosmopolitas e uma vida noturna diversificada, piscou-nos o olho, contudo serviu principalmente como trampolim para visitarmos os icónicos templos de Angkor  nas proximidades.

A mudança e tão revitalizante como o repouso, de maneiras que quando chegamos a um lugar novo não sentimos o cansaço. Cheios de animo em vez de alugarmos um tuque-tuque como a maioria das pessoas sensatas fomos visitar Angkor Wat, um complexo de templos no Camboja e o maior monumento religioso do mundo de bicicleta e a pé, que é como gostamos.

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E foi assim, livres e independentes, que atacamos o património arqueológico mundial do Império Khmer. Não vou mentir, deu-nos algum trabalho (vamos dizer trabalho, só para facilitar!). O terreno não é tão plano como gostaríamos que fosse e nos estamos mais longe do que perto de sermos material olímpico. De maneiras que não foi fácil! Foi tremendo. Ao anoitecer, ainda não tínhamos conquistado tudo mas já estávamos completamente rendidos! Encostamos numa barraquinha  e bebericamos dois sumos naturais de fruta enquanto o sol maroto que nos tinha fustigado se escondia, com cores deslumbrantes,  atrás de um magnifico templo. Uma experiencia da quinta essência!

Ciclamos por mais de 30 km, subimos e descemos escadas incontáveis naquele que por vários séculos foi o centro do Reino Khmer. Com monumentos impressionantes, vários planos urbanos antigos e grandes reservatórios de água, o local é uma concentração única de características que testemunham uma civilização excepcional.

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Apesar de termos visitado a oitava maravilha do mundo no dia anterior, os templos de Angkor, hoje descobríamos o verdadeiro tesouro do Camboja em Battambang: o seu povo. Deixamo-nos perder horas no mercado Phsar Boeung Choeuk  por entre frutos exóticos, vegetais frescos e pessoas (das mais bonitas almas com quem já nos cruzamos). Os Khmers têm uma história muito negra mas graças a um espírito incansável e otimismo contagioso os sorrisos prevalecem intactos.  De maneiras que quando encontramos o caminho para o hostel já tínhamos ganho umas gramas de peso, assim como, admiração e afeto pelos habitantes deste reino enigmático.

Battambang, ainda fora da rota do turismo de massas, encantou-nos com a graciosa arquitetura colonial francesa na frente rio e surpreendeu-nos com um estilo de vida tipicamente cambojano.

Contratamos um tuque-tuque por cerca de 10 dólares que nos conduziu pela paisagem exuberante dos campos verdes, visitamos os templos da era Angkoriana, Ek Phnom e Wat Banan, ao entardecer subimos ao Monte Sampeau, onde se situam as Cavernas da Morte, local onde o Khmer vermelho despejou os corpos das vitimas. Descemos o monte e no sopé durante o crepúsculo observamos milhões de morcegos que surgem das cavernas.

Este local, assim como os conhecidos campos da morte celebrizados pelo filme “The killing fiels” não são nada agradáveis para quem esta de férias mas ajudaram-nos a perceber este extraordinário país. O Camboja é um país que ainda tenta encontrar o seu caminho após o horrendo genocídio levado a cabo pelo regime do Khmer Vermelho (liderado por Pol Pot) entre 1975 e 1979, quando cerca de 1,5 a 3 milhões de pessoas cambojanas foram brutalmente assassinadas (cerca de 1/3 da população). Um horrendo testemunho dos perigos que o totalitarismo encerra.

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