Na rota do Trópico de Capricórnio (3ª e última parte)

Entramos novamente na Namíbia e paramos em Rundu para abastecer o carro, comprar comida e pernoitar num parque de campismo. Um minuto após termos estacionado, fomos assaltados! Uma espécie de “boas-vindas” aos viajantes incautos, como nós, e bastante cumum em Rundu, como viemos a saber, infelizmente, da pior maneira. Estávamos dentro do supermercado ainda com o cesto vazio quando ouvimos… – roubaram o teu carro! Fiquei ligeiramente aliviado quando vi o jipe porque pensei que tivessem literalmente fugido com ele. Menos mal, -pensei! Partiram um vidro, roubaram o telemóvel da Joana e usurparam uns trocos… A Ana, que falava melhor Inglês, fez queixa na policia e, concluindo, foi tempo perdido. Se não estivéssemos de mau humor e furiosos com a situação até nos tínhamos divertido. Hilariante! Rundu não vale a pena, não tem nada de especial e, como tal, o “adeus” aqui pela primeira vez prometia ser fácil. Mas não foi. Fomos parados pela policia, à saída da cidade, para ficarmos assim a saber que a igualdade de género é uma miragem e a corrupção é a norma. Eu fiquei no carro e as minhas colegas foram levadas para uma tenda onde foram, saloiamente  e à cara podre, vitimas de tentativa de extorsão, assédio sexual e machismo. Por tanto, mais um “adeus” atribulado! Mas enfim, esta infeliz situação ficou para trás e nós seguimos enfrente estrada fora para os últimos dias da nossa épica aventura.

Conduzimos de windhoek até Sossusvlei pelo trajeto pitoresco que vai das montanhas até ao deserto da Namíbia de baixa altitude e o mais antigo do mundo.

Em Solitaire onde acampamos conhecemos pessoas simpáticas, genuínas e cativantes que falavam Xhosa, a “língua dos cliques”. As consoantes clicantes são uma característica proeminente dos sons desta língua e mesmo o nome “Xhosa” inicia-se com um clique.

No alaranjado sul, conhecido pelas dunas de Sossusvlei, subimos a uma das suas maiores atracões, a duna 45, um enorme amontoado de areia avermelhada com aproximadamente 400 metros de altura. Aqui a luz ao anoitecer e ao amanhecer é verdadeiramente especial, as palavras não conseguem descreve-la por isso o melhor é capta-la com uma boa câmara. Ao entardecer, sentamos o rabo na areia quente, ficamos em silencio e demoramos o olhar sobre o pôr-do-sol.

Terminavam, assim, as nossas férias de 2 semanas pela África Meridional. O tempo escorreu como areia entre os dedos de uma mão aberta! Regressamos a Benguela, onde trabalhávamos, com memórias que mais ninguém tem e com a certeza de que ainda vale a pena proteger e visitar este incrível planeta.

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P.S.: A quando da independência (1966) o Botsuana dependia da agricultura de subsistência e tinha pobres infraestruturas como estradas e eletricidade. Em 2015 o mesmo país é geralmente referido como o mais bem sucedido na África subsariana e aquele que realizou o maior progresso pós-independência. A forte performance pós-independência tem sido atribuída à estabilidade política que tem facilitado o desenvolvimento de um estado forte que mantem a ordem política, paz e estabilidade.

O Botsuana é um bom exemplo na tentativa de alcançar e melhorara a distribuição equitativa da riqueza proveniente dos recursos naturais. O dinheiro dos diamantes e outros minerais exportados tem sido investido em infraestruturas e outros bens públicos como na saúde e educação.

A esperança media de vida no Botsuana desceu dramaticamente devido às mortes relacionadas com a sida durante o período entre 1991 e 2002, quando o país tinha a maior taxa global de prevalência de HIV. Porém, este país tornou o tratamento acessível e é neste momento o país da África subsariana com a melhor taxa de sucesso no tratamento de pessoas que vivem com HIV. Com resultado, a esperança media de vida aumentou para níveis quase iguais ao período pré-HIV.

O Botsuana foi nomeado o país menos corrupto em África, e é um país que protege e promove os direitos humanos fundamentais.

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